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Sniffers - Parte I
Por: Giovanni Nunes

Introdução

Basicamente um packet sniffer é um programa que captura os pacotes que estão trafegando na rede e os exibe na tela ou armazena em disco para uma análise posterior. Apesar desta aparente mal intencionada função, as primeiras ferramentas de sniffing foram criadas com o objetivo de ajudar na administração de redes.

O que é um sniffer?

Assim como outras ferramentas que acabaram virando um interessante brinquedo para qualquer candidato a invasor, o sniffer já era transparente aos dispositivos da rede (um port scanner por exemplo pode ser registrado nos roteadores), quase impossível de se detectar e acabou se tornando uma das mais utilizadas ferramentas com propósitos não éticos.

Mas como um programa destes funciona e consegue ter este tipo de acesso privilegiado à rede? Para entender é necessário lembrar como as redes Ethernet funcionam. Quem já fez algum curso/disciplina de redes locais conhece a forma como os adaptadores Ethernet acessam o meio físico, através do CSMA/CD (Carrier Sense Multiple Access/Collision Detect), ou seja, todos os adaptadores competem entre si para transmitir dados e quando dois ou mais tentam fazê-lo ao mesmo tempo há uma colisão, todos ficam calados por um tempo para depois transmitirem.

E por todos usarem o mesmo meio físico para transmitir, por consequência, o mesmo é usado também para receber. Assim cada adaptador fica "escutando" o meio físico (no nosso caso o cabo), carregando cada frame que aparece por lá, comparando o endereço de destino deles, estampado no início de cada pacote, com o endereço gravado na sua ROM e tratando-o. Estes sendo iguais passa adiante (para a camada acima, seja ela IP, IPX, etc...), senão o frame é descartado e começa-se tudo de novo. Este endereço é o MAC (Media Access Control), também conhecido como endereço de hardware, um número único que identifica cada adaptador gravado diretamente pelo fabricante (as operações se baseiam nessa unicidade).

Quando se utiliza um programa de sniffing o adaptador tem seu funcionamento alterado passando a funcionar no chamado "modo promíscuo", ou seja, independente do endereço de destino do frame ser igual ou não ao da placa, ele é lido como se fosse dele. É o equivalente ao grampo telefônico, só que em escala muito maior pois, dependendo da forma como a rede foi montada, todos que estão ligados nela vão estar vulneráveis.


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